O prazo para acabar com todos os
lixões no Brasil terminou no último sábado, mas eles permanecem em atividade na
maioria dos municípios. Localizado na capital federal, o Lixão da Estrutural é
um deles. O representante de Brasília do Movimento Nacional dos Catadores,
Ronei Alves, é a favor do cumprimento do prazo. Segundo Ronei, aproximadamente
quatro mil catadores atuam no Lixão da Estrutural. Para ele, não basta fechar o
lixão. O governo deve garantir todos os pontos da Lei Nacional de Resíduos
Sólidos, que propõem desde implantar a coleta seletiva até a construção de
galpões onde os catadores vão selecionar o material reciclável.
"O ideal é que o poder público
implante a coleta seletiva, tudo aquilo que for resíduo seco, tem que ir para
as unidades de triagem que serão galpões que têm que ser construídos. Nesses
galpões aquilo que é reciclável vai voltar para indústria e aquilo que é
rejeito vai para o aterro sanitário e uma das bandeiras que é o pagamento pelos
serviços prestados. Tem que pagar para os catadores para mandar esse material
para indústria de reciclagem".
A reabertura do prazo para o
fechamento dos lixões depende agora do Congresso Nacional. Como o fechamento
foi determinado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, porque é uma lei,
um novo prazo passa pelas mãos dos parlamentares. O Ministério do Meio Ambiente
não prevê nenhuma punição imediata para os municípios que continuarem usando os
lixões. A ministra Isabella Teixeira lembra que as leis que preveem punições à
destinação incorreta de lixo existem desde 1998.
"A lei é muito bem sucedida em
soluções e princípios, na verdade ela tem progresso expressivos e avaliando
desafios que a lei também nos impõe, no caso de municípios isolados, regiões
mais pobres, municípios que não tem renda pra pagarem serviços urbanos, então
tem várias situações. Situações delicadas que tem no Nordeste brasileiro, situação
dos municípios remotos isolados da Amazônia, o desafio de municípios no Sul que
estão ainda fazendo seus planos municipais no Sul e Sudeste, os demais
municípios rurais, quer dizer, tem uma série de questões que foram amadurecidas
nos últimos quatro anos e que não vem pra mesa como problema mais vem como
situações para criar consenso e criar uma visão critica de implementação,
portanto não circunscrevendo o debate a uma prorrogação de prazo"
Dados do Ministério do Meio Ambiente
apontam que 40 por cento dos municípios já tomaram medidas para garantir a
destinação correta do lixo. Mais de três mil localidades ainda não se
manifestaram a respeito. Em 2011, o Governo Federal investiu mais de um bilhão
e 200 milhões de reais em planos municipais de resíduos sólidos. Para o
pesquisador do núcleo de estudos ambientais da Universidade de Brasília,
Gustavo Souto Maior, o problema do lixo não é apenas de investimento
financeiro.
"Eu dou apenas um exemplo para
você entender isso: se Brasília, que é capital da República, uma cidade onde
jorra dinheiro, muito dinheiro, até hoje não conseguiu acabar com o seu lixão,
que é o lixão da Estrutural, imagina os municípios brasileiros que não têm
dinheiro, não têm expertise técnica, não têm vontade política. Então, com
certeza, o dia em que esses municípios conseguirem cumprir a lei, com certeza
vai ser um ganho muito grande para o país".
O Brasil tem hoje dois mil lixões em
funcionamento, segundo a Confederação Nacional dos Municípios. Segundo
levantamento daAssociação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública de Resíduos
Sólidos, o país gerou só no ano de 2013, 64 milhões de toneladas de lixo, sendo
24 milhões de toneladas destinadas de forma inadequada, como os lixões.

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