Mais de 70 por cento dos policiais brasileiros apoiam o fim da Polícia Militar. Os dados são da Fundação Getúlio Vargas, que realizou um levantamento em conjunto com a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Foram entrevistados agentes das Polícias Militar, Civil, Federal e do Corpo de Bombeiros. A pesquisa também apontou que 93 por cento dos servidores acreditam que a corrupção compromete o trabalho das corporações. Entre a população, o assunto ainda divide opiniões, conforme se percebe nos depoimentos da assistente administrativa Flávia Silva, do vigilante José Neri da Silva, da técnica de enfermagem Net de Souza edo taxista Luciano de Oliveira.
"Eu
acredito que não vai da certo porque cada um tem sua respectiva função,
obrigações e cargos. Acho que até eles vão ficar perdidos". –Flávia
Silva – Assistente Administrativa
"Vai
ser muito positivo, ai acaba o conflito entre os dois e tem a equiparação
salarial que é bem melhor pra nós, vão trabalhar ter mais policiais na rua e
vai melhorar muito pra todos nós, brasileiros". – Joseneri
da Silva - Vigilante
"A
polícia civil é que resolve ai se a PM chegar primeiro ela vai querer resolver
e não vai querer dar chance para a civil, teria que está no mesmo
patamar". – Net de Sousa – Técnica de enfermagem
"Acho
que vai ser válido, em país de primeiro mundo é assim não é? Se deu certo lá
pode dar certo aqui". – Luciano de Oliveira -
Taxista
A
separação entre Polícia Militar e Civil está prevista na Constituição Federal.
Em 2012, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU recomendou o fim da Polícia
Militar no Brasil. Para o presidente da Associação dos Praças Policiais e
Bombeiros Militares do Distrito Federal, sargento reformado João de Deus, o fim
da polícia militar é necessário. Segundo João de Deus, o agente não precisa ser
militar para ser policial.
"A
função policial é eminentemente civil, o policial lida diuturrnamente com as
pessoas na rua. Então as pessoas procuram o policial porque ele é um
representante do estado, um representante da lei e não porque ele é um militar.
Eu não preciso ser militar para fazer segurança pública. Porque ele é duas
coisas ao mesmo tempo, ele é policial e ele é militar e nós queremos só ser
policial e servir bem a sociedade da qual a gente saiu".
O coronel
reformado da PM de São Paulo e presidente da Associação de Oficiais do estado,
Flammarian Ruíz, acha que a pesquisa buscou apenas aspectos estéticos e
questiona a efetividade dos resultados. Para o coronel, existem questões muito
mais importantes levantadas pela própria pesquisa do que o fim da PM. Segundo
Flammarian, a premiação para policiais que matam criminosos é algo muito mais
grave.
"Há
de convir que essas citações todas levam em considerações, questões meramente
estéticas e de certo modo, no meu modo de ver, não responderia a necessidade de
se combater a violência como ela está hoje no país. O que tem de mais grave
aqui nesta análise, que 43,2 por cento acredita que policial que mata criminoso
deveria ser premiado e inocentado pela justiça. Ora, isto aqui é a própria
negação da existência do estado e de uma sociedade civilizada, isso sim é fator
de preocupação".
cientista
político e especialista em segurança pública, Antônio Flávio Testa, defende uma
discussão mais aprofundada sobre o assunto. Para ele, não basta acabar com a
Polícia Militar, a mudança deve partir da lógica de gestão e na reformulação do
treinamento das forças policiais, que para ele é extremamente violento.
"A
idéia de desmilitarizar precisa ser mais bem estudada e o que significa desmilitarizar
seria apenas tirar a farda, romper com toda estrutura hierárquica? Realmente eu
acho que é necessário haver uma mudança no treinamento e na qualificação das
policias militares, porque em sua maioria está sendo treinada para situações
praticamente de guerra de confronto contra a população. E mudar a lógica de
gestão das policias militares, ela tem que ta preparada para enfrentar o crime
e ter condições de controlar movimentos sociais sem usar de extrema
agressividade, como tem acontecido no Brasil".
No
Brasil , existem sete tipos de polícias previstas da Constituição Federal: a
PM, a Civil, a Federal, Rodoviária Federal, a Ferroviária Federal, a
Legislativa e a recém criada Força Nacional de Segurança. Ainda segundo a
pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, 99% dos policiais apontam os baixos
salários como principal problema da profissão, seguido de treinamento e
formação deficiente com 98 por cento e falta de pessoal e verbas para
equipamentos e armas com 97 por cento. Leis penais inadequadas e corrupção
entre policiais também foram citadas como dificuldades.



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